Mariana, 6 anos de um crime impune: “A justiça tem atuado como jagunço das mineradoras”
O Ministério Público Federal (MPF), estima uma população de cerca de 1,4 milhão de pessoas impactadas em 34 municípios de Minas...
Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é formado em fotografia pelo Senac/SC e possui especialiazação em Cinematografia, na Universidade Central da Venezuela (UCV). Foi repórter especial do Brasil de Fato e correspondente do jornal na região africana do Sahel, entre 2024 e 2025.
Como destaque da produção audiovisual, dirigiu o filme Sahel: Pátria ou Morte (29', 2025), e os curtas Terra Vista (19', 2023) e Meeiros (20', 2024) para o Brasil de Fato, além de Cacau Amado (15', 2016) para o Canal Futura (Rede Globo).
Tem publicações e fotos em veículos como Brasil de Fato, Outras Palavras, ICL Notícias, The Intercept Brasil, Instituto Socioambiental, Opera Mundi, Diário do Centro do Mundo, Rede Brasil Atual, Agência Pública, Alma Preta, Revista Fórum, Mídia Ninja e O Joio e o Trigo.
Há décadas, os países da região africana do Sahel são alvos do colonialismo e exploração por parte da França e outras potências Ocidentais. Sahel: Pátria ou Morte aborda a resistência popular e os novos caminhos de desenvolvimento trilhados por Burkina Faso, Níger e Mali após passarem por levantes civis e militares nos últimos anos.
Na região sul da Bahia, a crise da cacauicultura não modificou o domínio de multinacionais sobre a cadeia produtiva. O documentário Meeiros mostra as precárias condições de vida das famílias rurais que produzem o cacau para a comercialização como commodity agrícola. A palavra que marca a zona cacaueira baiana é “abandono”. Na zona rural de Ilhéus e Uruçuca, os trabalhadores do cacau permanecem esquecidos, agora escondidos sob um teto remendado das antigas fazendas dos coronéis.
O documentário Terra Vista, produzido pelo Brasil de Fato em parceria com o Orfalea Center, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara (UCS), retrata uma comunidade assentada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em 1992, na vanguarda de um processo histórico de resistência e mudança do sistema hegemônico de produção de cacau no sul da Bahia, tipicamente marcado por uma oligarquia branca, desigualdades de poder e condições de trabalho degradantes.
Em 2024, a África do Sul celebra 30 anos da eleição de Mandela. 27 de abril de 1994 foi a data das primeiras eleições democráticas no país.
Três décadas após o emblemático resultado, a população negra luta para preservar a memória dessa conquista e enfrentar as forças neoliberais que mantêm a estrutura social do regime de Apartheid intacta e o país como campeão mundial de desigualdade.
O documentário Terceiro Ato, produzido pelo Brasil de Fato, retrata os acontecimentos que marcaram o emblemático mês de janeiro de 2023, desde a posse histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até os atos golpistas protagonizados por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) — que destruíram as sedes dos Três Poderes.
Cobertura do rompimento da Barragem do Fundão, de propriedade das mineradoras Vale/BHP Billiton e as consequências para a vida em todo o Vale do Rio Doce
Cobertura do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019, que deixou 272 mortos e um rastro de destruição em todo o vale do Rio Paraopeba
Dados do Estado de Minas indicam níveis elevados de ferro dissolvido e manganês no Rio Paraopeba. Em 9 meses, nenhum relatório toxicológico foi apresentado nos 48 municípios atingidos. Segundo levantamento realizado pela fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de um milhão e 300 mil pessoas que vivem às margens do rio paraopeba podem estar contaminadas com metais pesados.
Oito meses após o crime da mineradora Vale, a aldeia Naô Xohã teve seu modo de vida destruído pela morte do rio Paraopeba. A comunidade com cerca de 200 indígenas das etnias pataxó e pataxó Hã Hã Hãe reivindica, desde o fim de agosto, junto ao Ministério Público Federal (MPF), a realocação para outro território.
O Bairro Pires é a comunidade mais próxima do ponto onde a lama da Vale encontrou o rio Paraopeba. Seis meses após o crime cometido pela Vale em Brumadinho, as famílias do Bairro Pires convivem com barulho incessante de maquinário da Vale e com a indefinição sobre destino dos sedimentos vazados da barragem.
Um ano após o maior crime socioambiental da história do país matar 259 pessoas e deixar 11 desaparecidos, em Brumadinho, a Vale cortou pela metade o auxílio emergencial de pelo menos 93 mil pessoas que vivem ao longo dos 48 municípios impactados pela tragédia na bacia do rio Paraopeba.
Comunidade do Pires, Brumadinho. Julho de 2019
Parque da Cachoeira, Brumadinho. Julho de 2019
A buzina irrompe na cidade do grito sufocado. É o ruído do trem da Vale que corta Brumadinho (MG). Sinal de que o minério não para, corre os trilhos em direção ao estrangeiro. Esse trem, contrariando toda uma região destruída pela mineração, não guardou luto durante os últimos seis meses. Ao contrário, o que se vê, se sente e se respira na cidade só atesta o lamento da mãe Andreza, que perdeu o filho: “O zelo pela vida não faz parte da mineração. Onde tem a mineração só sobrevive ela mesma”.
Cobertura do afundamento do solo de bairros da capital alagoana por conta da exploração de salgema pela mineradora Braskem
Famílias afetadas pelo crime da Braskem, em Maceió, criticam acordo assinado em 2019 entre a petroquímica e prefeitura da cidade. Os moradores falam que o valor da indenização oferecido é baixo e que a empresa agora se sente dona dos imóveis evacuados. O repórter Pedro Stropasolas esteve na capital alagoana e conversou com pessoas atingidas.
O maior crime ambiental em solo urbano em curso no Brasil atinge 20% do território de Maceió. O iminente colapso em 1 das 35 minas de exploração de sal-gema pela Braskem colocou novamente Maceió em alerta. O solo já afundou 1,99m desde 29 de novembro, segundo a Defesa Civil do Município. Famílias de bairros vizinhos à mina, como os Flexais e o Bom Parto, ainda não foram realocadas e lutam por indenizações justas.
Na comunidade dos Flexais, em Maceió, moradores atingidos pela Braskem denunciam os impactos provocados pelas obras de revitalização levadas a cabo por uma terceirizada da mineradora, após um acordo firmado com o Ministério Público Federal, Estadual e a DPU.
Em Maceió, famílias do bairro Bom Parto, vizinho à mina da Braskem que esteve à beira do colapso em dezembro de 2023, ainda aguardam para serem realocadas e indenizadas pela Braskem. A inclusão dessas famílias em área apta para realocação e indenização foi suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em 22 de janeiro de 2024, a pedido da mineradora.
Cobertura de violações trabalhistas em cadeias produtivas brasileiras entre 2019 e 2026, para o Brasil de Fato
O repórter Pedro Stropasolas acompanhou uma operação de fiscalização do Ministério do Trabalho em uma pedreira no município de Murici, em Alagoas. Foram encontrados 44 trabalhadores em condição análoga à escravidão. Eles tinham condições precárias de moradia, trabalhavam sem equipamento de proteção individual e usavam bombas caseiras para detonar rochas. (Brasil de Fato, 12 de abril de 2023)
Série de reportagens e fotos publicadas durante a correspondência na região africana do Sahel, entre 2024 e 20025, para o Brasil de Fato
Em Burkina Faso, milhares de pessoas têm ocupado as noites para proteger o presidente Ibrahim Traoré de novas tentativas de golpe. Eles se organizam em vigílias que tomam rotatórias por todo o país e afirmam defender um projeto político que remete à revolução de Thomas Sankara. O Brasil de Fato foi até Uagadugu para acompanhar essa mobilização popular que mistura solidariedade e confiança na revolução em curso
A saída oficial de Níger, Burkina Faso e Mali da Cedeao, o principal bloco econômico da África Ocidental, foi um marco histórico na mudança política na região do Sahel nos últimos anos. Apoiados por revoltas populares, os três países expulsaram as forças militares francesas. O anúncio da retirada da organização foi celebrado nas ruas pela população das três nações.
O papel das mulheres tem sido fundamental para reconstruir o Níger após o golpe de estado de 26 de julho de 2023, que pôs fim à presença militar francesa no país. Nossa reportagem esteve no Níger e conversou com lideranças femininas para entender como tem sido a luta contra grupos fundamentalistas islâmicos e por que as mulheres são as mais afetadas.
No Benin, o culto aos Egoun-Goun, uma das expressões mais antigas da religiosidade iorubá, permanece como referência espiritual e comunitária. Em Sakété, cidade considerada um dos principais centros dessa tradição, a família Iloko Arelu se prepara para mais um festival que marca a aparição da divindade. A reportagem do Brasil de Fato visitou a família e conta os laços que essa tradição iorubá estabelece com a diáspora afro-brasileira, especialmente na Bahia.
Ao longo do século 19, um grande número de africanos escravizados que haviam conquistado a liberdade no Brasil decidiu realizar o caminho de volta e se estabelecer novamente na costa oeste do continente africano. Nesse retorno, levaram consigo práticas culinárias como o cozido e a feijoada, além da língua portuguesa e outras marcas culturais que, até hoje, podem ser encontradas em países como Gana, Togo, Benim e Nigéria
Manifestações, greves, ocupações e revoltas populares de movimentos sociais e de trabalhadores(as) no Brasil e no mundo entre 2019 e 2026
A series of articles published in English in national and international media outlets between 2019 and 2026